A nova definição de obesidade e o que ela muda na prática clínica: saúde além dos números
- Murillo Monteiro
- 9 de jan.
- 3 min de leitura
Atualizado: 11 de jan.

A obesidade sempre foi tratada como um número. IMC acima de 30 kg/m² significava diagnóstico, risco elevado e necessidade de intervenção. Mas a ciência evoluiu, e com ela, a forma como entendemos o corpo humano.
Uma nova diretriz da European Association for the Study of Obesity (EASO) mudou esse cenário e trouxe uma definição mais precisa, mais humana e mais alinhada com a medicina de precisão.
Sou o Dr. Murillo Monteiro, nutrólogo e especialista em Medicina Esportiva. Minha missão é promover saúde, longevidade e performance por meio de uma prática que combina ciência, tecnologia de ponta e escuta ativa. Este artigo é sobre o impacto dessa mudança — e como ela redefine o cuidado de milhões de pessoas.
Quando o IMC deixa de ser suficiente
Durante décadas, o IMC foi o principal critério para diagnosticar obesidade. O problema? Ele não diz tudo sobre saúde, composição corporal ou risco metabólico.
Pessoas com o mesmo IMC podem ter:
quantidades de gordura completamente diferentes
níveis hormonais distintos
inflamação silenciosa
resistência à insulina
circunferência abdominal elevada
riscos cardiometabólicos opostos
É por isso que a nova diretriz da EASO reconhece: o IMC isolado não explica a complexidade da obesidade.
O que mudou na nova classificação
A mudança é simples e profunda.
Agora, mesmo pessoas com IMC entre 25 e 29,9 kg/m² (antes chamadas apenas de “acima do peso”) podem ser diagnosticadas com obesidade, desde que apresentem:
relação cintura–altura alterada
excesso de gordura abdominal
complicações clínicas
alterações funcionais
comprometimentos psicológicos relacionados ao excesso de peso
Isso significa diagnóstico mais preciso, tratamento mais precoce e menos invisibilidade.
Por que isso importa?
Porque milhões de pessoas que antes não eram consideradas em risco agora podem receber cuidado adequado antes das complicações surgirem.
Um estudo publicado em julho de 2025 mostrou que 1 em cada 5 pessoas classificadas como “acima do peso” era, na verdade, obesa — e apresentava risco aumentado de complicações e mortalidade.
Essa mudança faz justiça clínica: quem precisa de intervenção deixa de ser negligenciado.
Obesidade não é peso: é fisiologia
A ciência atual reconhece a obesidade como uma doença crônica, multifatorial e sistêmica.
Ela envolve:
metabolismo
inflamação
hormônios do apetite
microbiota intestinal
sono
estresse
genética
comportamento
composição corporal
Por isso, a avaliação correta exige profundidade, não apenas número.
A medicina de precisão na prática
No consultório, utilizamos ferramentas que enxergam aquilo que o IMC nunca conseguiu explicar:
Testes genéticos
Revelam predisposições que influenciam desde apetite até tendência ao acúmulo de gordura visceral.
Microbiota intestinal
Desequilíbrios aumentam inflamação, resistência à insulina e impacto do estresse.
Avaliação de telômeros
Indica envelhecimento biológico e direciona estratégias para retardar esse processo.
Diagnóstico de composição corporal
Mostra distribuição de gordura, massa magra, retenção hídrica e inflamação.
Marcadores hormonais e metabólicos
Leptina, grelina, insulina, cortisol, estradiol, testosterona, TSH — todos determinam resposta corporal.
Só assim conseguimos construir um protocolo verdadeiramente personalizado.
Diagnóstico precoce: impacto direto na vida real
Com a nova diretriz, conseguimos:
iniciar tratamento antes de surgirem complicações
reduzir risco cardiovascular
evitar resistência grave à insulina
preservar massa muscular
proteger fígado, articulações e metabolismo
ajustar hormônios no momento certo
evitar o efeito sanfona com estratégias contínuas
Prevenir é mais eficaz , e mais humano, do que remediar.
O que muda no tratamento
1. Menos culpabilização, mais compreensão
O foco sai da culpa e entra na biologia.
2. Estratégias baseadas em ciência
Nada de soluções rápidas ou promessas fáceis.
3. Plano longitudinal
Obesidade é crônica; o cuidado também deve ser.
4. Personalização profunda
Do treino à nutrição, da reposição hormonal aos micronutrientes.
Enxergar antes de tratar
A nova definição da EASO não é apenas uma mudança técnica. É uma forma mais precisa, justa e humana de tratar um problema complexo.
No Instituto Mutare, trabalhamos para que cada paciente seja avaliado de forma completa. Sem reducionismo. Sem julgamentos. Com ciência, empatia e constância.
Transformar o corpo é também transformar a mente, a autoestima e a vida.
Se você deseja uma avaliação completa, baseada em exames avançados e uma estratégia personalizada para saúde, metabolismo e longevidade, agende sua consulta no Instituto Mutare.
A transformação começa com o diagnóstico certo.



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